07 | 12 | 06
09|56 Afinal sempre é possível ser-se feliz?

A confusão aos 30 anos não podia ser maior...
As emoções misturam-se com os valores, sentimentos, meus e dos outros, e o caminho a seguir não me parece uma auto-estrada mas sim uma subida de uma serra com curvas e contracurvas, onde o meu maior cuidado é não cair no precipicio.
À medida que fui crescendo sempre tive o que queria e como queria. Foram poucas as contrariedades da vida, mas lembro-me de uma como se fosse hoje: quis um computador e o meu pai não me deu. Eu devia ter entre uns 7 ou 9 anos, o meu irmão tinha um spectrum que fazia imenso barulho quando iniciava os jogos, era necessário um leitor de cassetes para o jogo entrar, muito cómico aos olhos de uma PSP de hoje. Isto foi uma contrariedade tao forte que ainda me lembro. Outra foi um passeio da escola, ao qual não fui porque estava a chover, e ainda por cima até já estava pago, não esperava de todo este não.
Mesmo assim nunca soube gerir expectativas frustadas ou nãos redondos. Ensinaram-me a sus existência mas não aprendi o segundo passo - o dar a volta por cima depois do não, a vivê-lo sem ser de uma forma frustada, só por não conseguir isto ou aquilo.
Então habituei-me a viver no limite de tudo.
Porque sou a melhor, sempre fui, porque claro que consigo, que mal tem se chovem canivetes? ou cães ou gatos? eu consigo, eu vou, eu faço... e faço 500 mil coisas ao mesmo tempo, até surgir o sinal vermelho...
É o sinal que não me deixa conseguir ouvir as pessoas até ao fim das frases, o sinal de que a TV está sempre muito alta, que a Leo fala muito alto, de que cala-te que já percebi... este é o primeiro sinal de cansaço... depois vem o não suportar ouvir o toque do telefone, campaínhas, buzinas, bips bips, enerva-me o barulho da chuva a cair no telhado de camarinha..... apetece-me comer tudo o que me fizer mal, o que engordar e entupir as veias depressinha para acabar com a agonia do ter que reconhecer que se calhar me enganei no meu script e afinal não sirvo para super-mulher... e vou ficar frustada e triste porque afinal não superei as minhas expectativas...
ooh não consegui utilizar todo o pouco tempo livre que me resta do trabalho exigente numa multinacional a pintar e decorar caixas, fazer pregadeiras e colares, trabalhar como balconista, tratar da contabilidade e ser mãe e mulher... como é que é possível? daaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Eu que sempre fiz tudo...
Pois aos 15 anos a viver em casa dos pais é fácil ser muito eficiente, hoje nem com uma empregada a limpar a casa uma vez por semana, e um gato, um coelho, dois adultos e uma filha de 2 anos a sujar roupa e espaço...hum... talvez não tenha esolhido uma vida fácil...
Ah, é para receber elogios tipo do PO, que quando cá esteve me disse: "És a minha ídola, trabalhas para o Engº Belmiro, és mãe mulher e artesã? Como consegues?"
Pois meu querido PO, não consigo, está visto, mas combinamos uma coisa... ficas tu a ser o meu ídolo, que de portugês workaholic passaste a um espanhol que se diverte, sai à noite quando quer, e cuja a única responsabilidade é pagar as contas dos devaneios... tu és o meu ídolo, porque te divertes, aproveitas a energia, cuidas do corpo e da imagem e vives para amar... Parabéns, que o Deus em quem tu não acreditas te mantenha assim e a mim que me dê juízo para transformar esta frustação em aprendizagem.
Bom, tenho que continuar a ler Dalai Lama,
Tenho a sensação que ou fujo para o Alentejo ou nunca vou aprender a viver de outra forma... sou de paixões e entrego-me até ao limite ao que me motivar... sou assim... estúpida!...

