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21 | 01 | 06

19|05 Felicidade no trabalho???????????????

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A felicidade é muito mais do que um sonho
por Roberto Shinyashiki

Façam favor de ler que vale muito a pena...

A luta pela sobrevivência está brutalizando o ser humano. As pessoas vivem pressionadas. A palavra cooperação foi substituída por competição. Milhões de anos depois do homem das cavernas a vida continua sendo um campo de batalhas. As pessoas se destroem a si mesmas e aos outros para atingir o que para elas significa felicidade. A maneira com que constroem o seu sucesso é agressiva, e a vitória é saboreada a sós em razão do medo que se tem do adversário.

O preço tem sido muito alto. É impressionante o aumento do número de famílias desagregadas, o consumo de drogas, a violência insana que vemos. Existem empresas nas quais 40% dos gerentes com mais de dez anos de casa são enfartados! Em muitas delas as pessoas são utilizadas como laranjas onde expreme-se o suco e joga-se fora o que se sobrou delas. Perdeu-se a dimensão do ser humano. Os Tempos Modernos de Chaplin estão cada vez mais atuais.

A sociedade transformou-se em um liqüidificador de sonhos. Cria miragens que são fortes tentações para que as pessoas se distraiam de suas metas de vida. A felicidade vai se tornando uma palavra do futuro, a cenoura motivando o burro para continuar uma caminhada muito pobre.

Na adolescência, queremos viver um grande amor e depois dominamos a pessoa que amamos.

Na juventude, sonhamos em criar um planeta melhor e depois esquecemos desse propósito. Só pensamos em juntar o máximo de dinheiro que for possível.Queremos ser amigos dos nossos filhos, mas exigimos obediência incondicional.

No começo da vida profissional, toda pessoa quer um trabalho que a realize. Algum tempo depois, a realização está em ter dinheiro suficiente para comprar tudo aquilo que se deseja.

Há quem acredite que ser isso é um processo de maturidade. A pessoa deixa de ser ingênua quando diz que se torna mais objetiva. Mas, na verdade, isso é um empobrecimento das metas. Os sonhos vão se atrofiando, diminuindo de tamanho, até se transformarem em prêmios de consolação.

A sociedade vai criando prêmios como uma loteria. Todos apostam suas vidas mas poucos conseguem ganhar a sua realização pessoal. É triste ver a maioria das pessoas correndo atrás de ilusões.

As pessoas desperdiçam suas vidas em projetos sem significado para elas. Ao invés de se realizarem como artistas da autocriação, investem energia para controlar e serem admiradas pelos outros. Deixam de ser o centro de suas vidas e passam a viver em função dos outros.

As pessoas estão procurando a felicidade onde ela não se encontra e por isso começam a teorizar que a felicidade não existe. Como na letra da música... "tristeza não tem fim, felicidade sim...". Lógico que a felicidade existe, mas ela tem de ser procurada no lugar certo!

Amor, tranqüilidade, segurança, paz estão dentro de cada um de nós. O único lugar onde alguém pode encontrar a felicidade é dentro de si próprio. Sem ter consciência disso, vamos lutar a vida inteira para conseguir aquele abacaxi docinho, suculento, vamos gastar energia para descascá-lo e, na hora de saboreá-lo, estaremos tão exaustos que não o aproveitaremos.

Em um mundo altamente competitivo precisamos ser competentes e muito, mas sabendo que a nossa maior missão nessa viagem pelo planeta é sermos felizes e criarmos mais felicidade.

A felicidade existe sim e ela é mais do que um sonho, é uma forma de viver.

O melhor sucesso é ser feliz

O sucesso virou a palavra da moda. Todos querem brilhar e serem aplaudidos, mas qual será o preço disso? Quando o preço do sucesso é a própria vida da pessoa certamente esse prêmio não vale a pena. Será que vale a pena gastar tanta energia para decidir se o paletó tem de ter 2 ou 3 botões?

A maior parte das pessoas vive para ser admirada pelos outros, por uma multidão de olhos famintos que muito provavelmente nunca se encontram mais de que uma única vez. Quando essas pessoas pararem para perceber o rumo que deram para a vida, vão verificar que apenas colecionaram cupons que não servem para nada.

A estrada na qual a maioria da humanidade caminha não leva à felicidade.

O ser humano tem a vocação natural para a felicidade, mas vive correndo atrás de miragens. Ilusões que não preenchem a sua existência.

Muitas pessoas alcançam sucesso em certas áreas de suas vidas mas são totalmente fracassadas em outras. Há quem tenha sucesso no trabalho mas não consegue se relacionar bem afetivamente. Outros não conseguem realizar seus sonhos profissionais. Alguns vivem na busca eterna da paz interior porque estão sempre angustiados.

A felicidade não pode estar sedimentada em bens materiais, pois eles são tão instáveis como terreno movediço. A maioria se ilude construindo castelos de areia. Aprenderam a valorizar quantidade ao invés de qualidade. Mas a felicidade não pode ser construída baseada na acomodação. Muito mais infeliz é aquele que joga na defensiva à espera do final da partida.

O mais importante de tudo é poder sentir a sensação de que viver vale a pena. Sentir a plenitude da experiência de brincar com uma criança ou saborear uma fruta. Apreciar o contato dos pés descalços num gramado ou na areia da praia, perceber o vento batendo no rosto e a água da chuva escorrendo pelos cabelos. Perdemos o sentido da vida quando não vivemos para nós mesmos, mas para atender e fazer frente à vontade dos outros.

O sucesso material é sensacional, pois ele cria condições para a felicidade, mas esse não é a unica fonte de vida .Quando você conquistar as condições materiais para a sobrevivência, tome muito cuidado para não perder o seu próprio coração.

O verdadeiro sucesso é satisfazer a sua ânsia de felicidade, é cumprir a sua vocação de ser feliz. E isso você consegue quando dá atenção sincera às pessoas que ama, quando é amigo de seus filhos e, principalmente, quando você consegue ser amigo de si próprio.

Ser amigo de si mesmo é ter compreensão com os seus próprios erros, é ser seu próprio cúmplice para os desafios, é estimular-se a ultrapassar novos obstáculos e, principalmente, aproveitar ao máximo a sensação de felicidade, sem culpa nem medo.

Ser feliz é o melhor de todos os sucessos.

* Roberto Shinyashiki é escritor, consultor e presidente da Editora Gente

RH EM SÍNTESE 16 – MAIO/JUNHO 1997 – PÁGINAS 26 E 27


















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18 | 01 | 06

13|03 O Homem do Autocarro

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Este post já existe na minha cabeça há uns dias, talvez até há mais de uma semana, mas o tempo, que não existe de sobra, não me deixa escrever-te meu querido diário...
Falo-te da primeira vez que me desloquei de autocarro até ao meu local de trabalho, porque a minha bendita carrinha ficou sem bateria um dia destes de manhã... ora bem... toca a procurar a paragem de autocarro e o nº do mesmo... eu sabia que existia uma no bolhão... andei às voltas do mercado a perguntar a este ou àquele portuense e nada... até que alguém disse: "Menina, não é no Bolhão, é na R. do Bolhão, que fica um quarteirão atrás..." que bem me soube tratarem-me por menina, sou sempre a "Sra Doutora...", a distante, a que todos olham com demasiado respeito e alguma desconfiança... Porque não me conhecem, não passo de uma simples menina que anda de autocarro...
Mas este não é ainda o homem do autocarro, este senhor é apenas a ajuda, o empurrão para a minha redescoberta como menina que anda de autocarro!...
Feita a deslocação até à R. certa, lá está o autocarro altaneiro a passar o silo auto em direcção à minha paragem... toca a entrar, 1,35€ até ao meu destino... 40 minutos depois, e vários telefonemas a remarcar as reuniões devido ao atraso, já estava eu no escritório...
Ai e tal, vim de autocarro, foi mesmo fixe... tudo a rir... o meu gajo liga: "queres que te vá buscar logo à noite? se precisares de alguma coisa diz..." E eu, a menina que anda de autocarro, encho o peito e digo..."Nã! Achas? correu tão bem, que logo também vou de autocarro!"
18:00h e ainda muito que fazer, "Eh pessoal, vou-me embora que tenho que ir apanhar o autocarro..." (risos)
"Até amanhã!..."
Na na na .... la la la... saída do escritório...ups, "tá a chover..." mas a menina que anda de autocarro não se deixa abater e vem prevenida, e o que o escritório mais tem são guarda chuvas, com o fantástico logotipo da empresa, sempre disponíveis... "Cá vai alho..."
Noite escura como breu, lá tomo coragem para avançar pelo famoso atalho até à paragem, pelo outro lado é bem mais longe e demorado, afinal de contas até ali vai gente...la la la... coladinha aos outros, avanço com passo ligeirissimo para chegar rápido ao fim do atalho, Ok aqui estou eu na paragem... olha lá vem ele... mesmo à hora...18:15.
Procuro lugar perto do motorista que nunca se sabe...
10 minutos depois lembrei-me de ver se o autocarro estava muito cheio... hum não tem mais de 15 pessoas...
ó que é isto?
Um homem com ar carrancudo, cabelos grisalhos muito curtos e com as mão estre as pernas com um ar nervoso? aposto que é romeno... está mesmo atrás de mim e está com um olhar no horizonte muito estranho, parece que está à espera que aconteça algo...bom pelo menos não tem uma mochila... está é sentado perto da porta...
...hum...o meu pensamento neurótico fez-me mudar de lugar, com o coração a bater depressa porque não gostei do aspecto deste homem, saltei do meu lugar e fui sentar-me do outro lado do autocarro mas desta vez virada para ele. daqui vejo-te melhor, pensei...
... retomamos viagem e depois de deixar alguns passageiros na paragem e entrar outros, tentava o autocarro seguir viagem, quando comecei a ouvir um ruído estranho vindo das postas automáticas, ao lado deste homem... um pipipipi...infindável, o motorista levanta-se e dirige-se para a porta... o homem levanta-se e antes que o motorista consiga chegar à porta o homem sai a correr pelo autocarro fora...
fiquei gelada, com a pulsação mais rápida do que a habitual no final de uma aula de step... e agora? o motorista tenta repor a situação nas portas mas não consegue, porquê tanto pipipipi? Porque fugiu o romeno, não tinha bilhete, ou seria uma bomba?
brrrrr que medo... só pensei em fugir como fez o romeno, mas não, eu sou a menina que anda de autocarro, não posso sair, pois só eu tenho noção que pode ser uma bomba, os outros estão distraídos a conversar ou com a cabeça noutro lado, vou cá ficar pois possso ajudar a salvar vidas... será?
O pipipi passa e o motorista senta-se no seu lugar, arranca a 1ª e põe o autocarrro a andar... respirei fundo e fiquei à espera de ouvir o pum... mas não aconteceu nada até chegarmos à próxima paragem onde o pipipi voltou e o motorista nos pôs na alheta pois não seria seguro prosseguir viagem, "ele desconfia da bomba, pensei..." mas não, não pode é circular com as portas abertas, claro...
Bom, a menina que anda de autocarro teve que sair e esperar com todos pelo próximo autocarro...
O romeno desapareceu por instantes da minha memória e foquei a minha atenção na atitude de grupo dos outros passageiros do autocarro, uns cheios de sacos, outros com livros da escola, umas raparigas riam-se do sucedido, os mais velhos mais pacientes... e eis senão quando aparece lá longe um outro autocarro, com um nº diferente mas que parece também servir, o destino é o mesmo mas vai pelo Campo 24 de Agosto, Ok pensei, não paguei outra viagem e desta vez resolvi ir sentar-me ao fundo do autocarro...
Mala ao ombro, pé ante pé com cuidado para não falhar com a troca de postes à medida que caminhava para o fundo, estava quase na zona escolhida para me sentar quando ao meu lado direito estava sentado o romeno, o homem do autocarro.... nem sabem a confusão que ía na minha cabeça, agora tinha a certeza de que o problema era eu, era a mim que ele perseguia, estava carrancudo porque me queria matar, aquela imagem daquele homem representou para mim um filme de terror...

Fui ansiosa até ao destino,
Se calhar o romeno também.

É bom saber que o meu grau de neurose e maluquice ainda se encontra ao mais alto nível.

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