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27 | 03 | 02

23|09 Nostalgia AM

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Querido Diário,

Hoje escrevo-te para partilhar algumas emoções contigo.
Estou um pouco melancólica.
Tenho saudades do tempo em que conversávamos só os dois.
Agora estão todos a ler... e até comentam, quando têm pachorra!!!

Acho que preciso de pintar umas telas...
Na Segunda feira tive um exame de MBA, fiquei a estudar o dia todo, e no final do dia fui até à praia...
descobri um recanto mesmo de frente para o mar... pude apreciar uma linda paisagem com direito a namorados aos beijos na praia, recém-pais com uma cadeirinha e um bébé... sim, um bébé... lindo... entretanto algo me roubou a atenção, algo me chamou à terra... uma gaivota com um peixe na boca... ela despertou em mim emoções de sobrevivência, de amor à natureza, ao cheiro do mar...
até acendi um cigarro com o isqueiro do carro, aquele cheirinho peculiar faz-me lembrar o meu pai.
Quando íamos de viagem fumava sempre que conduzia... e quando usava o isqueiro do carro, o cheiro era irresistível... e ainda hoje sinto esta saudade, e quando alguém pergunta se pode fumar no meu carro, digo sempre que sim e peço que acendam o cigarro no isqueiro do carro...

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21 | 03 | 02

21|56 Mulholland Drive, não se arranja uma traduçãozita para este título?

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Bem, fantástico, fabulástico! Só visto!
E não vale a pena tentar entender tudo à primeira.
Agora apetece-me voltar a ver o filme, sentada perto da tela a olhar para a plateia, pois os comentários e as reacções às incríveis descobertas ao longo de todo o enredo são tão fortes que se um desconhecido falar consigo sobre o filme tipo “Esta é a mesma, não é?”, “Olha, a chaves!”, isso é definitivamente David Lynch - o homem que nos põe às aranhas e que insiste em fazer sempre tudo ao contrário dos colegas.

Além do emaranhado do enredo, e da complexidade das personagens e do que elas representam, também a forma como o filme está filmado é inesperada! A banda sonora, cujos títulos ou autores ainda desconheço, é assustadora, adapta-se que nem uma luva a cada momento...

Quanto à história?
O que achei? Achei simples, embora tenha que ir vê-lo uma segunda vez, pois tenho a certeza que cada visualização é percepcionada de forma totalmente diferente... Alinham na experiência? OK!

Então é assim, tudo começa com uma loura chamada Betty que chega a Los Angeles para se tornar uma actriz famosa... a sua tia foi viajar e deixou-lhe o seu apartamento à disposição... enquanto isso uma intrusa morena de seu nome Camilla entra sorrateiramente no mesmo apartamento, depois de ter conseguido escapar a um atentado encomendado pela sua ex-namorada Diane S., no dia de uma festa em casa do filho da Coco, o amigo realizador.

Festa esta a que Diane não comparece, pois na anterior assistiu a um clima muito próximo (presumível anúncio de casamento) entre o realizador e a sua ex-amante, e resolveu por isso contratar um louro barbudo para matar Camilla Rohdes.

Mas o golpe não funcionou. Depois de um grave acidente de carro inesperado, que a salva de morrer de um tiro de pistola na M Drive pelos seus motoristas, Camilla foge sem saber bem para onde e adormece no jardim da tia Ruth, tia de Betty. De manhã quando a tia sai para a sua viagem, Camilla consegue esconder-se na casa e adormece.

Quando Betty chega vinda de Ontário, e a encontra a tomar duche em casa da tia, pensa que a tia se esqueceu de a avisar que estava lá uma amiga. Camilla, porque está com amnésia, não desmente, pois não sabe quem é... nem onde está.... Mas facilmente ficam amigas e Camilla pede ajuda a Betty para descobrir a verdade... em troca, Camilla ajuda-a a interpretar o texto para a audiência do dia seguinte!

No entretanto, David Lynch julga entreter-nos com a audiência de Betty, as zangas do realizador com a produtora acerca da substituição de Camilla num dos seus filmes, com um gajo que tem sonhos estranhos, com a esposa do realizador na cama com outro gajo, com a falência do realizador e com o cowboy que lhe manda escolher a actriz que a máfia prefere...

Na busca do passado, Camilla lembra-se de algumas coisas... do nome da ex-amante, que as leva (porque quem tem páginas amarelas e está habituado a usá-las é capaz de encontrar tudo) à casa de Diane S., que depois de ter discutido com a Camilla, e a ter mandado matar (embora desconheça que ainda vive), suicida-se na cama com um tiro...

Camilla e Betty entram na casa por uma janela que Diane deixou aberta, e descobrem-na morta já há uns tempos... assustadas, voltam para casa e resolvem mudar o visual de Camilla com uma peruca loura para a proteger, pois desconfiam que corre perigo...

Á noite resolvem dormir juntas e acontece o inevitável... estão apaixonadas uma pela outra... Betty vive uma experiência única e Camilla (ainda chamada de Rita, pois não sabem a sua verdadeira identidade) dá largas à sua tendência homossexual, ou será mulhosexual?.... hunf....

A meio da noite, Camilla sonha com o teatro do Silêncio, e correm as duas de madrugada para assitir a um espetáculo de emoções fortes... aí David Lynch diz-nos que o que vemos é tudo fantasia... daí algumas pessoas acharem que o filme só começa aí...

Durante o espectáculo, Camilla encontra uma caixa azul, que estava nas mãos de um desfigurado pedinte, leva-a para casa, abre-a com uma chave que tinha na sua carteira... entretanto Betty não responde ao seu chamado... não sabemos se foi embora para Ontário, a caixa cai aberta ao chão, e a partir daí David conta o início da história...

Para mim, o filme acaba na caixa e começa depois dela.

Só falta explicar porque é que Coco aparece como mãe do realizador, na festa onde Diane se zanga com Camilla, já conhece ambas, e mais tarde não reconhece Camilla quando esta vive com a Betty em casa da tia Ruth. O David deve ter feito isso só para me baralhar!....

No fim disto tudo, quem se lixou foi a Loira que teve que fazer três papéis diferentes.... Betty, Diane S. e empregada de bar também de nome Diane, quando Betty e Camilla vão tomar café e ler o jornal...

Vão ver e depois digam-me algo...

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18 | 03 | 02

00|48 Não durmo mais contigo...

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Não consigo dormir mais contigo...
O sentimento não é mútuo, eu sei... mas não consigo disfarçar.
Sinto que me procuras cada vez mais, que pretendes dormir o mais próximo de mim...
Mas não dá...
O desconforto é insuportável, falo durante a noite, bato-te sem sequer me lembrar que o fiz... passo a noite a enxotar-te qual mosca em meu redor... a nossa relação não pode continuar assim...
Temos que dormir em camas separadas...
É muito desconfortável adormecer profundamente e sentir um enorme calor no cabelo, uma língua afiada na bochecha... eu preciso dormir...
Já para não falar... no meu cabelo... não o deixas em paz... adoras acordar-me a meio da noite a ronronar no meu cabelo molhado de tanto o lamberes...
Nunca mais dormes comigo!
Sabes porquê?
Porque tu Babas-te Lua!!!!

Dasssssssssssssssssssssseeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! Que nojo... xô...

Não perca os próximos episódios de Babas-te Lua!

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12 | 03 | 02

22|31 Vigaristas de Bairro???

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Querido Diário,

Depois da "Maldição do Escorpião de Jade", finalmente conseguimos bilhetes para a sessão das 21.35h no AMC para ver os "Vigaristas de Bairro"!

Ambas as histórias têm algo de banal, ou até de redundantes, mas a fantástica colaboração do Woody dá-lhe um certo ar de segunda intenção... de não sei bem o quê...

Parece que as mensagens base dele são comuns às das novelas - que não me comam viva os críticos - mas fá-lo de um forma tão original e tão bem interpretada, que por isso os seus filmes se tornam únicos.

Vale a pena ler esta entrevista com Woody Allen para o conhecermos melhor... embora eu acredite que ele não seja um bom actor e portanto não esconde o que é com as personagens que interpreta... ele tem mesmo piada e interesse mostrando-se ele próprio... portanto basta ver os filmes para o conhecer melhor...

Fico à espera do próximo....

Vá Woody, estamos à tua espera!

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09 | 03 | 02

13|07 Capturada pela Al-Qaeda

Areia diagonal2.JPG

Querido Diário,

Cheguei hoje das terras do Oriente...
estive capturada pela "Al-Qaeda"...
sim, essa que foge aos impostos e se dirige agora às Ilhas Caimão, à Madeira... enfim... aos Paraísos Fiscais!

Agora que regresso a casa, cheia de sacos de compras vindos de lá...
Uns com decorações para o corpo, outras para decorar a casa... e claro, alguns com recordações para os amigos... dou por mim como se tivesse estado numa aula de aeróbica... muito cansada mas feliz...

Feliz por regressar a casa, por me ter portado bem, ter aguentado as contrariedades e especialmente por ter sido reconhecido todo o meu esforço!!! É bom quando nos esforçamos e nos reconhecem o mérito...

Estas situações de captura são àrduas...
falamos menos com os amigos, não podemos telefonar para casa quando queremos... enfim...

Só nos dedicamos à causa que nos move... que nos leva mar alto em direcção à linha do horizonte, que por sua vez, quando atravessada nos oferece a oportunidade de alcançar todos os outros objectivos... as recordações, os jantares com amigos, os filhos, as prendas para o irmão, para o dia do pai... para a Elsa que vai fazer anos... (ai, o Emanuel... xiça quando era mesmo o aniversário dele?)... tudo pretextos materiais para alcançarmos a egrégora que tanto queremos, o sentir a alegria e felicidade que fluem pelos bens materiais, que nos dão direito, por troca directa (ou seja sem dinheiro, espécie por espécie), a um sorriso e um beijo...

Que mais posso pedir à vida?
Ontem era dia internacional da mulher... e eu recebi um ramo com cinco rosas vermelhas... e um cartão escolhido a dedo... com uma imagem da Anne Guedes, cujo bébé está vestido de abelhinha em cima de uma flor, da mesma colecção de imagens de um quadro que recebi em Abril de 1997 em Barcelona... querem saber o que dizia o cartão?

Se eu estivesse no vosso lugar também queria... mas não posso trair o meu grande amor...

Um bem material que nas mãos de um ser sensível se transforma num aconchego à alma para quem chega das terras do Oriente....

Amo-te.

S.

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